O problema não é a troca.

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Sabemos que magia funciona, independente do instrumento, da cor, do tecido, ela funciona, sua fé funciona, sua vontade é o motor de qualquer magia, sabemos disso…

Mas… Eis que existe algo por trás do ingrediente difícil (Não o semi-impossível, mas coloque ele na analise também), no ingrediente que foi sofrido, dolorido físicamente, emocionalmente e mentalmente, no sangue que foi exposto com mantra, fé e a ansiedade da picada, do sangue do 28º dia que cobre a terra, do momento em que diferentes ingredientes tocam o seu inconsciente, no momento que pronuncia as palavras que levou tanto tempo para decorar, para conseguir fazer aquele ritual, feitiço, encanto ou malefício.

Não sou contra a máxima do: “Se dá resultado, funciona.”, mas vamos pensar que até orixás poderiam ser evocados com qualquer sigilo se fosse algo realmente sentido, trabalhado e levantado (No sentido de subir energia.), mas os sigilos, os pontos riscados existem, o método existe, a Tradição existe.

Tradição (Sub. Fem.) –
“Transmissão de doutrinas, de lendas, de costumes etc., durante longo espaço de tempo, especialmente pela palavra: a tradição é o laço do passado com o presente; é tradição deles festejar os aniversários. – Transmissão oral, às vezes registrada por escrito, dos fatos ou das doutrinas religiosas. – Costume transmitido de geração a geração: as tradições de uma região.

Sabe quando sua avó tem o Costume de falar algumas palavras no idioma que a sua bisavó falava tão bem? Quando ela faz o café daquela maneira que só ela faz, por que ela aprendeu com a mãe, que aprendeu com alguém mais velho e o café ainda sim sai tão bom e gostoso como um café feito por um ótimo barista?

Quando a magia tem o nome de tradicional, significa que ela carrega uma tradição, um meio de ser feito apenas dela, com um mistério, com uma energia que só pode ser acessada por quem se entrega  ao corte que trás o sangue, ao passo adentro da noite fria  umida, ao abraço que se dá ao que se esconde de si mesmo.

A Wicca é conhecida pelas suas caracterísitcas, o Budismo, o Reconstrucionismo Helênico, o Candomblé, a Santeria e diversas outras práticas e religiões são conhecidas pelas sua características, seu modo de se aproximar, de se praticar, de ver o mundo e de se posicionar. O caminho sem nome é conhecido pelas sua características animisticas, pelo segredo do Sabá, o gosto amargo das raizes e pelo modo de como os espíritos ensinam as Caminhantes da Arte.

O sangue tem poder! Mas disso sabemos, ele trás a prática do medo, do nojo, do sujo, não se mexe na terra de luvas, não quando estamos lidando com o espírito que ali habita e é. O chumbo tem poder, o sal grosso, a erva, a peregrinação, o alho da Senhora, o pesadelo da Rainha, o suor ao chegar em Elfame, a Pedra no altar da bruxa.

Trocar os ingredientes de sangue, por suco e vinho podem ter seu charme, podem ter certa energia psíquica, mas não tem o mesmo tom, não contém o mesmo sabor, não contém os mesmos olhos e isso tudo não se trata de tornar a Arte sem Nome algo obscuro, maléfico ou sensacionalista, se trata apenas de ver a tradição pelo o que ela é, o leão por suas atitudes, o aprendizado pelo seu ardor, não se trata de assustar quem se aproxima com curiosidade, apesar que apenas quem é do sangue fica no caminho, não se trata de desmerecer a prática de outro, mas sim de mostrar as cores que os espíritos sussuram.

Se trata de se dar aos que Ensinam, o sangue da vida e da morte, a moeda ao barqueiro, a Romã à Senhora que anda nas terras de Baixo, o sopro ao barro, o vinho à Leoa…

Irinia :+:
B.M

 


https://www.dicio.com.br/tradicao/
http://www.serpentshod.com/

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Cuidando dos nossos mortos

O quanto interagimos com os mortos?

Mesmo no dia 2 de Novembro, algumas pessoas tendem a ir chorar a saudade que sentem daqueles que partiram, outros vão arrumar os túmulos.

Nossos mortos andam conosco.

Estarem em nossa memória, nos nossos pensamentos os alimenta, lembrar deles durante o ano para quem sente que é algo benéfico lidar com eles é muito enriquecedor.

Sempre que vou ao cemitério eu procuro dar uma caminhada, sentir a energia, se sinto vontade de sorrir eu sorrio, se vejo um túmulo com as flores caídas eu arrumo elas e penso que a memória daquela pessoa possa estar em paz e bem, que eu não a conheço mas me importei o suficiente com ela para pelo menos tornar harmonico o local de descanso do templo físico dela, energia e emoção são os diamantes do astral.

Aquela vela acesa acima da geladeira, na lareira servem para Continuar lendo

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O que oferecer quando você sente que não tem nada?

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Estou certa de que muitos de nós estão familiarizados com os tempos que são financeiramente apertados, momentos em que temos de tomar decisões difíceis sobre com o que gastar o nosso dinheiro. Nessas ocasiões, podemos sentir o peso da necessidade de honrar os nossos deuses com oferendas, ao mesmo tempo sentindo que não podemos nos dar ao luxo de gastar dinheiro de comida, aquecimento ou de médicos, mas temendo o seu desagrado se não o fizermos.

Talvez primeiro vale a pena mencionar por que fazemos oferendas. Fazemos oferendas aos nossos Deuses como uma honra, como um sinal de nosso amor e respeito por eles. Podemos fazer oferendas por causa de algo que desejamos receber em troca. Fazemos oferendas para fortalecer nossa conexão com eles e manter sua presença em nossas vidas. Recentemente ouvi Morpheus Ravenna explicar isso muito bem, se pensarmos em nosso relacionamento com nossos Deuses como sendo como uma amizade, se nos esquecemos de ficar em contato com nossos amigos, se não conseguimos honrar ou manter a amizade, o amigo não desaparece, mas a amizade murchará.

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Samhain – In Ben Mo’r, In Dagda Donn: “A Grande Senhora e O Dagda Escuro”

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O consorte primário de Morrígan é Dagda (Apesar de haver outros…). Nos primeiros textos de Ulster, incluindo o Tochmarc Emire, (Wooing of Emer – TL¹: Cortejo de Emer.) onde a paisagem é chamada de O Jardim de Morrígan, é dito que foi dado a Ela pelo Dagda. O casal é reforçado no texto Mag Tuired (The Battle of Magh Tuireadh – TL: A Batalha de Magh Tuireadh), nos materiais Dindshenchas e em outras fontes como Banshenchas, onde a Morrígan é uma das três noivas  (Junto com Badb e alguém chamada Asachu de personagem desconhecida.)

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A distancia do natural

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Conforme nos tornamos mais “civilizados” (por fora) nos tornamos mais sensíveis ao que vemos e experimentamos na vida. Já me perguntaram o que eu vou falar para meus futuros filhos quando eles perguntarem se sou uma bruxa e eu respondi que eles já irão para a escola sabendo que eu sou uma bruxa e que eles terão tanto contato com a natureza o quanto eu puder fornecer.

Outro dia minha mãe estava limpando peixes na cozinha… O cheiro não me incomodou, nem o sangue pela pia, mas o fato de alguém ter tirado a vida de um animal para nós comermos… Fiquei alguns minutos olhando para o montante de peixes dentro da pia esperando para terem a espinha delicadamente cortada pelas mãos da hábil cozinheira… “Assim é a vida Iriniae, a gente se alimenta da vida dos outros, Deus fez assim.” ela disse ao me ver pensativa. Nossos avós e bisavôs tão acostumados a abater animais do melhor jeito possível para que o animal não sofresse “É ruim cozinhar animal que sofreu.” já ouvi minha avó falar.

O quanto estamos desacostumados com a natureza? Como ela é e age naturalmente… Meu pai tem o costume de assistir programas como discovery channel e ver animais caçando outros, mordendo e matando, filhotes sendo mortos por serem da matilha que perdeu o território, isso normalmente nos choca, minha mãe nem gosta de ver, mas a natureza, aquela que dá os climas da nossa vida é assim… Alguns tem o costume de falar que “é a ordem Divina.” e de fato as coisas acontecem assim, mesmo dentro da nossa sociedade humana de animais, que gostariam que só existisse a vida, mas deus e a natureza estão lá para falar “Não é bem assim.”

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Eu menciono muito a palavra bruxaria tradicional, muito por que através dela eu encontrei um biblioteca gigantesca de insights, conhecimentos, aprendizados e percepções, foi através do estudo dela que eu me aprofundei mais ainda em mitos, lendas, em como a espiritualidade das pessoas e das organizações se expressam, em como os deuses tem diversos lados e que só a prática e a convivência com tudo isso me torna ainda mais questionadora e viva.

A base de todas essas pesquisas, leituras, conversas e analises pessoais é uma só; Fé. Onde a minha fé e a fé de cada um se expressa? Como os salmos católicos e cristãos tomam o coração do orador e se tornam alegria, paixão, medo e torpor, como as danças ritualísticas trazem o transe pessoal e a visão além do véu para conversar e ter com o espiritual.

Como é a sua fé? O que te inspira?

Fé inspira fé, conhecemos a sensação, alguém que tem fé pode nos emocionar, quando o coração não está de todo enferrujado para a empatia, podemos sentir o amor que a outra pessoa tem pelos espíritos, em como ela é rodeada de seres, em como ela observa o Inominável nos detalhes mais simples e mais complexos.

A fé da trabalho, é ela que nos faz passar por testes, escolher a persistência à facilidade, porém é ela também que nos faz perceber o valor da convivência com o outro lado, o carinho com as nossas Famílias de Sangue e que nos traz o senso Trino da vida.

A Magia está para a espiritualidade como um primeiro portão ensinando que nossos desejos são ouvidos, para no próximo portão perguntarmos, “Ouvidos por quem?”.

O caminho é interno, porém sempre encontramos nas folhas a vida da raiz.

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